O meu “relacionamento” tóxico/”abusivo”

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Eu sou feminista desde 2014. Eu já escrevi isso aqui. E sempre me orgulhei disso. Também, sempre me orgulhei de nunca ter deixado um cara me abalar tanto assim.
Mas, não importa o quão cercada de feminismo e apoio você esteja, você ainda está sujeita a cair em um relacionamento tóxico, que beira o abusivo.
É bem difícil descobrir que você esteve em um relacionamento assim, ainda mais quando aquilo não era um relacionamento.
Eu tinha acabado de sair de um sei lá o que que tinha me deixado muito mal. E eu ainda tinha Tinder instalado e eu descontei tudo lá. Com diversos matchs, decidi saí e um dos caras com o qual eu estava conversando parecia legal. Avisei que iria excluir o aplicativo e pedi o número dele porque “qualquer coisa o chamaria”. E eu chamei. Porque ele parecia legal.
Tudo começou bem. Saímos uma vez, nos beijamos. Ele foi o primeiro carinha com o qual tive qualquer tipo de relação ou ações sexuais. E tudo bem. Eu estava tranquila nisso.
Nos víamos toda semana e não falávamos para ninguém. Contei para uns amigos meus, mas nada muito sério. Vida que segue.
E eu estava ok de só beijar por aí – porque tenho total incapacidade de beijar diversas bocas por aí.
Até que não estava mais.
Depois de um tempo, comecei a perceber que ele estava se afastando cada vez mais. Quase não falava mais comigo, quando eu falava com ele parecia que eu o estava incomodando e começou a ficar cada vez mais difícil de nos vermos.
E cada hora era uma coisa diferente.
Eu entendi quando era o vestibular. Entendi quando era a tristeza dele.
Mas, eu não entendia nos outros dias. Não entendi a falta de dinheiro para pegar um ônibus para me encontrar e a abundância para comprar um disco de 40 reais.
Eu não conseguia entender porque parecia tudo bem.
Então, eu comecei a ficar mal. Eu mesma comecei a me afundar. Comecei a ter diversas crises de ansiedade só me perguntando se ele sentia algo, mínimo que fosse, por mim ou não. E que se não sentisse nada (ou quase nada), por favor, me dissesse (como eu bem falei neste post aqui). Inclusive, foi bem louco ler esses posts agora.
E eu, que estava tentando parecer forte, parei de tentar fingir que estava. Assumi que estava mal. E mesmo assim a resposta dele era “nossa, se eu conseguisse, eu ia te ver”. E eu sei que ele conseguia. Não tinha nada impedindo ele além da falta de vontade de tentar me ajudar. De me ver.
As crises de ansiedade continuaram. E lembro que perguntei, um dia, se caso ele não quisesse mais ficar comigo, se ele falaria. “Claro”, foi a resposta. Mas, essa verdade nunca veio.
Passamos mais algum tempo assim. Nisso, comecei a surtar.
Passei a assistir VÁRIOS filmes, no mesmo dia, para que ele visse que eu era culta e gostava de filmes, como ele. Passei a parar de comer, começando a desenvolver uma anorexia, porque talvez, bem talvez, eu tivesse engordado desde que nos conhecemos e que, por isso, ele não queria mais me ver ou não queria assumir nada.
Passei a ficar mais quieta quando saía com ele, sem expressar o que queria falar porque talvez ele não queria mais nada comigo porque eu falava muito. Passei a não dizer mais as coisas com medo de ser julgada – porque talvez isso que tivesse afastado ele. Passei a me esconder quando estava com ele. Era o tempo todo pisando em ovos.
Até que, mais uma vez, perguntei isso para ele. E ele simplesmente surtou e começou a dizer diversas vezes que “eu tinha que entender a situação dele, que era complicada”. E o jogo virava completamente para mim. Que eu estava sem paciência e precisava entender. Que a vida dele era muito complicada e fodida etc etc etc. Eu tentava entender, ainda estava tentando naquela época, mas eu não entendia como era tudo tão complicado.
Eu entendia as complicações. Eu tentava entender, na verdade. Tentava ser compreensiva, até porque, não tínhamos nada. E isso foi ficando cada vez mais claro.
Sem contar que ficava cada vez mais difícil sair com ele. Era um mix de pseudo felicidade, que eu estava, enfim, saindo com ele, com a sensação de miséria. Como se tudo aquilo não fosse real. Eu me sentia miserável de andar ao lado dele, de conversar com ele. De não ser eu mesma. De estar aceitando ouvir aquelas frases que, no momento que eu ouvia, eu já tinha repulsa, mas que, mesmo assim, para ele, por ele, eu concordava por fora.
Ainda não entendia e tinha uma certa esperança de que todo o comportamento dele mudasse, mas eu sabia que aquilo não aconteceria.
Comecei a perceber que ele me fazia mal. E eu aceitei isso. Porque, de uma forma ou de outra, eu queria ficar com ele. Esperava que ele mudasse. Mas, ele nunca mudaria. Não por mim. Não para mim.
Continuei a sair com ele por uma pseudo conveniência, mas o sentimento que eu tinha, de que eu era miserável e suja, toda vez que eu saía com ele, só aumentava. Comecei a chamá-lo de embuste e isso se intensificou quando todo o jogo virou: de não me ver mais para me ver às vezes, mas SOMENTE para sexo.
Quando estávamos juntos, quase não conversávamos. E não porque “era confortável ficar em silêncio” com ele. Mas, porque não tinha interesse. Ele não tinha interesse no que eu tinha para falar. E eu muito menos. Se ele falasse algo, eu só ouviria, sem expressar qualquer opinião. Porque o que ele falava me causava repulsa, mesmo. Era muito prepotência e preconceito para uma pessoa só.
Só transávamos. E era só isso. Era basicamente assim toda vez que nos encontrávamos. Conversávamos um pouco quando estávamos para nos ver, mas era só isso.
Eu parei de tentar contar as coisas para ele. Tentei mais uma vez chamar sua atenção. Mas, não resolveu. E eu fui desistindo de vez. Tudo que acontecia na minha vida, de bom ou ruim, eu não contava. Não sentia vontade. Eu sabia que ele não queria saber e que ele pouco se importava.
Mas, eu continuava saindo com ele. Não sei muito bem o porquê. Talvez esperava que ele mudasse. Mas, enfim. Continuei saindo.
Até que as crises de ansiedade passaram. A esperança, de notar pequenas demonstrações, ainda permanecia, mas em menor quantidade. Tudo foi diminuindo. Eu aceitei que ele me fazia mal e que aquilo iria acabar em algum momento. E coloquei na minha cabeça que “estava tudo bem ainda sairmos porque pelo menos eu transo” – mesmo não gostando muito do que acontecia (porque eu não sentia nada além de uma dor nas pernas, depois).
Nessa época, ele começou a falar “olha, percebe como eu trago só você nesses lugares? Se eu viesse com outras meninas, os funcionários falariam”. O que eu sabia que não era verdade, além dessas frases virem em momentos bem aleatórios.
Comecei a ensaiar uma despedida. Uma fala que encurralaria ele na parede e exigiria uma verdade (se ele saía com outras pessoas ou não). Mas, que eu já sabia que não viria (porque eu sabia que SIM, ele saía). E que, então, terminaria com tudo. (Nesse ponto, eu nem queria saber se ele gostava de mim ou não – porque eu sabia que não – só queria saber se ele estava me fazendo de palhaça mesmo – o que estava).
Porém, eu não conseguia. Ainda me agarrava à ideia de que ele iria mudar. Ainda me agarrava à questão de “ele foi o primeiro menino com o qual transei”. (Sem contar que sempre fui PÉSSIMA para falar as coisas pessoalmente – e eu queria conversar isso pessoalmente).
Entretanto, eu já pensava em outras coisas, marcava outras coisas e não girava mais meu mundo ao redor dele. Deixava bem claro: “caso queira sair, será nesse dia e ponto”. Mas, uma mini esperança ainda restava em mim. E, por isso, o discurso de despedida foi sendo adiado. Até que a verdade pedida foi jogada na minha cara.
Um dia, estava no trabalho e, mexendo no Facebook, vi que uma menina havia marcado ele em uma publicação MUITO amorzinho. Dizia palavras como “porque você ficou no meu pior” e algumas coisas assim.
O sangue ferveu. Eu sabia que ele saía com outras meninas. E aquilo era a prova. E é sempre difícil lidar com as provas.
Depois de uns vinte minutos, decidi perguntar. Dar mais uma chance a ele,  não dele me falar que não saía com ela (porque eu não ia acreditar), mas dele ser sincero, me falar a verdade.
Cheguei sem nem saber o que fazer e mandei até um print da postagem. Perguntei se ele saía com ela.
Foi então que ficou óbvio que ele nunca me falaria a verdade.
Ao invés de assumir, ele começou a jogar na minha cara que a vida dele era muito complicada para assumir um relacionamento. Que não tinha como ele arrastar uma outra pessoa para “a vida bosta dele”.
Eu respondi que isso nunca aconteceria num relacionamento. Que relacionamento é um ajudar o outro. E ele insistiu que “a vida dele era uma bosta e que eu tinha que entender que ele não podia namorar”.
Então, eu joguei um “quem falou em namorar? Eu só quero saber se você está saindo com ela”.
E ele fugiu mais uma vez do assunto e me respondeu “Você é uma menina ótima, adoro muito você” e começou a me elogiar.
Eu só respondi “Você ainda não respondeu a pergunta”.
Ele disse “Que pergunta?”
“Se você está saindo com ela ou não”
Ele só respondeu “Não”. Eu devolvi um “Obrigada”.
Mas, eu não acreditei nisso. Eu sabia que ele tinha mentido para mim na cara dura, e isso é bem complicado de aceitar para continuar com ele.
Ainda mais, eu tinha perguntado aquilo antes. Tinha perguntado agora. E ele mentiu para mim, sem necessidade nenhuma – já que não tínhamos nada. Ele poderia ter sido sincero comigo, não tínhamos um compromisso. Mas, ele preferiu mentir quando a verdade já estava lá. E isso foi a parte mais triste.
No resto do dia, não conversamos NADA. Foi então que caiu completamente a ficha que eu não era importante para ele. Que ele não fazia questão de se explicar ou conversar mais comigo sobre o tema, ou qualquer outra coisa.
A Giulia, que já estava vindo à tona, começou a sair mais. A Giulia que estava escondida toda vez que saía com ele começou a vir.
No dia seguinte, bem de manhã, queria ver se ele falaria uma verdade para mim. A última que eu queria.
Não falei bom dia, nem oi. Só mandei “Nem eu nem você gostamos do que eu fiz ontem, mas queria saber o que nós temos”. E ele começou a enrolar, me elogiando, mais uma vez. Falou que eu era muito simpática e que adorava conversar comigo. Então, perguntei mais uma vez, sem deixar ele desviar do assunto. E ele me respondeu “é bem óbvio o que nós temos”. E eu respondi “não é, porque eu não sei”. E ele, enfim, falou a única verdade de todo o tempo que passamos juntos “ah, nós ficamos”. E, FINALMENTE, eu tive a coragem para responder “então, acho melhor nós pararmos”.
Nem lembro o que ele respondeu depois, mas sei que apaguei a conversa. Fiquei feliz. Aliviada. Finalmente, tudo tinha acabado. E eu podia voltar a ser, completamente, eu. Sem ressalvas do que eu compartilharia no Facebook porque ele iria me julgar. Do que eu ouvia. Do que eu assistia. Do que eu dizia para ele – ou para qualquer pessoa. Eu podia ser eu, sem medo nenhum. Todo aquele tempo me escondendo tinha acabado. Eu estava livre para ser eu mesma.
Quando tudo acabou, eu estava tão aliviada que nem me importei com mais nada. Não pensei em tudo aquilo que tinha sofrido, não pensei no início de anorexia que tive, não pensei em nada. Só queria ser feliz e aproveitar aquela felicidade. Sem pressões, sem julgamentos, sem medo.

Não tinha lembranças dele – e nem queria me apegar a elas.
Foi só quando comecei a escrever meu livro do TCC, que passei a ir em encontros, debates, conversas que quase todas as mulheres relatam que já tiveram um relacionamento assim e que é difícil perceber, e sair. Foi só nesse momento que eu percebi que o relacionamento que eu tinha tido antes do atual tinha sido tóxico, beirando o abusivo.
E é difícil perceber isso. Foi difícil defini-lo. Porque ele era só mais um cara mau caráter que não sabe dizer a verdade para as pessoas. Mas, ele fazia bem mais que isso. Ele fazia uma pressão psicológica absurda toda vez que eu tentava saber o que estava acontecendo com ele ou com nós dois (e, por isso, beira ao abusivo). Sempre que eu queria entender o que estava acontecendo mais a fundo, tudo virava-se contra mim. Porque EU tinha que ser compreensiva. EU tinha que ser mais calma. EU tinha que aguentar a barra. Desse “relacionamento” que não era nada. Nunca havia sido para ele.
Foi difícil e pesado perceber que eu não passei de uma boneca do sexo para ele. Mas, mesmo assim, foi bom participar para aprender com isso.
Quando tudo acabou, eu nem pensei nisso porque eu só queria ser feliz. Agora, quando o baque veio, bateu com força e me deixou muito triste. Por eu ter me sujeitado a isso. Por eu ter permanecido nisso por tanto tempo. Mesmo sabendo que era ruim, mesmo sabendo que iria acabar, mesmo sabendo que ele era uma pessoa ruim – porque ele era.
Em nenhum momento, ele se mostrou uma pessoa boa para mais alguém além dele mesmo. Sério. Parando para pensar, ele só foi legal comigo quando queria algo em troca ou para me “recompensar” porque eu já tinha dado algo para ele. E é bem triste perceber que eu me relacionei com uma pessoa assim. Vazia. Cheia somente de ego. Porque ele era prepotente. E deve continuar sendo.
É um alívio, entretanto, pensar que ele fez uma coisa de bom senso: nunca mais veio falar comigo. Me deixou em paz, de uma vez por todas. E aceitou o momento em que eu finalmente falei “quero parar”. Porque, até eu não falar isso realmente, ele ainda fazia pequenas coisas, e falava pequenas coisas, que ele sabia que me deixariam em dúvida e me fariam ficar, que brincavam com seja lá o que eu tenha sentido por ele. Quando eu finalmente decidi, ele só largou mão de um dos brinquedos dele, o que eu, infelizmente, sei que ele tinha muito.
Eu ainda fico triste por ter permanecido tanto tempo nisso. Mas, foi o tempo necessário para eu acordar e perceber que: não valia a pena esperar ele mudar. Eu nunca iria conseguir mudar ele. Ele não valia a pena. Uma pessoa que só lhe causa dor, sofrimento e não faz você ser você, não vale a pena.
Inclusive, lendo uns textos do meu blog, achei esse que fala que tudo acontece no tempo certo e que tudo serve de lição.
O momento da verdade veio em uma época que eu não sabia se desistia ou não daquilo. E esse momento veio para me mostrar que eu não iria desistir: ele já tinha desistido faz tempo. E que só eu estava sozinha naquilo – e que não tinha mais como fingir que haviam duas pessoas ali.
Isso me lembra uma conversa que eu tive com o Gabriel assim que começamos a sair: as dores, por piores que sejam, são necessárias. Tudo isso que eu passei foi necessário, principalmente perceber isso tudo depois.
Ainda dói perceber tudo que passei. Calada. E nem sei como. Mas, aconteceu e eu sobrevivi. E que bom que eu sobrevivi. Fiz tudo que estava ao meu alcance, mas como diz esse texto (que achei bem legal) não tem como você ser sozinho em uma relação, quando a outra pessoa já abriu mão de você. Ele tinha aberto a mão de mim, porque achava que eu sempre ficaria presa ali. E que bom que eu percebi e não fiquei mais.
Tudo aconteceu no tempo certo. Mais uma vez. E isso me deu mais forças ainda e empatia para lidar com as mulheres e histórias que eu narro no meu TCC.
Fico aliviada comigo mesma por ter conseguido sair disso e bem em paz porque eu fui a melhor pessoa que poderia ter sido naquele momento, mesmo estando tão mal. E, além disso, eu fiz tudo que eu podia. Mas, eu não podia mais me manter naquele relacionamento. Era muito injusto comigo me manter em algo sozinha.
Mas, eu consegui sair. E fico MUITO aliviada por conta disso. A tristeza de ter passado por isso volta, às vezes, mas é a vida. E não é mais tão triste quanto antes.

O textão é só para falar que, realmente, tudo acontece no tempo certo e que tudo bem ter passado por um relacionamento tóxico/abusivo: o importante é conseguir sair e não se deixar abalar. E procurar ajuda. E o mais importante ainda é lembrar que a culpa NÃO é sua. Nunca foi e nunca será.

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Assistidos em Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro de 2017

Pode parecer muita coisa, mas não é. No fim de 2017 descobri as séries e me perdi nelas. Mas, assisti uns filmes depois do último Assistidos, que valem a pena serem citados (sem uma ordem específica, mesmo eu tentando muito isso).

* netflix // ** popcorn time // *** youtube

tumblr_p2h94ta0rh1rajzc2o7_400It – A Coisa, EUA, 2017. Drama/Terror/Thriller. Dir: Andy Muschietti
tumblr_ox29316dwi1sbkyfmo1_1280Jogo Perigoso, EUA, 2017. Terror/Thriller. Dir: Mike Flanagan *
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Cidade de Deus, Brasil, 2002. Drama/Policial. Dir: Fernando Meirelles/Kátia Lund *
tumblr_nxunmsmfo21svd223o1_500Donnie Darko, EUA, 2001. Drama/Ficção Científica/Mistério. Dir: Richard Kelly (II) *
tumblr_opirg9kiut1rgqdw8o2_540Peles, Espanha, 2017. Drama. Dir: Eduardo Casanova (III) *
tumblr_o9e249xzax1ruq3oqo4_1280Frida, Canadá/México/EUA, 2002. Biografia/Drama. Dir: Julie Taymor *
tumblr_ofo3nnlzcb1qm2kyeo1_500O Lobo de Wall Street, EUA, 2014. Biografia/Comédia/Policial. Dir: Martin Scorsese (I) *
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Star Wars: O Último Jedi, EUA, 2017. Ação/Aventura/Fantasia/Ficção Científica. Dir: Rian Johnson
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O Rei do Show, EUA, 2017. Biografia/Drama/Musical. Dir: Michael Gracey

 

2018

2017 acabou. E foi um alívio e uma loucura, ao mesmo tempo. Aconteceram tantas coisas nesse ano que parece até que eu vivi três anos em um só. Sério. Por mais que eu queira dizer que eu aprendi muitas coisas em 2017, a principal foi: eu ainda não aprendi nem metade do que eu esperava aprender sobre a vida e, principalmente, sobre mim.
Descobri que tem milhares de partes em mim que eu gostaria de mudar. E, eu vi essa frase no twitter e decidi usá-la, “não planejei nenhuma meta para 2018, mas [esses são] meus breves desejos”.
Não planejei metas. Como não o fiz há uns cinco anos. E cada ano sempre me surpreende. Seguindo essa linha, nada de metas este ano, mas, sim, desejos que eu quero conseguir cumprir/realizar e que os leve para vida – caso se concretizem.

  1. Perder menos tempo com coisas não tão importantes (até para mim), como stalkear a vida inteira de uma pessoa ou assistir todos os stories que estão disponíveis para assistir;
  2. Parar de buscar a aprovação de outras pessoas – e somente a minha;
  3. Melhorar como pessoa e aplicar (de verdade) tudo que eu sempre falo;
  4. Aceitar um elogio meu de vez em quando – sem, automaticamente pensar que é prepotência;
  5. Focar nas coisas que eu tenho que fazer e fazê-las logo;
  6. Ler mais livros;
  7. Ter mais tempo para mim;
  8. Ter mais tempo para mais pessoas;
  9. Fazer mais coisas que eu goste e que fazem com que eu me sinta bem;
  10. Aprender a dizer “não” – e não me sentir culpada quando eu faço;
  11. Aprender que tudo bem às vezes não corresponder às expectativas das pessoas;
  12. Falar mais para as pessoas quando estou triste sobre algo relacionado a elas;
  13. Aprender a lidar melhor com as coisas;
  14. Melhorar a maneira como eu vejo as pessoas;
  15. Não me importar com o que pensam sobre mim – quando eu deveria saber a verdade;
  16. Manter minhas convicções firmes na frente de pessoas com as quais não tenho intimidade;
  17. Dizer mais o que penso;
  18. Juntar dinheiro e não gastar tudo o que ganho;
  19. Entender mais as pessoas;
  20. Ler mais livros;
  21. Treinar mais meu inglês;
  22. Aprender alguma coisa por conta própria;
  23. Dormir mais;
  24. Deixar as minhas coisas organizadas (principalmente, finanças);
  25. Melhorar minha reação quando recebo críticas (sempre achei que reagia bem, mas ano passado percebi que as pessoas acham que eu fico brava);
  26. Terminar meu TCC e me formar (essa especificamente para 2018).

Eu realmente acho que esqueci algumas coisas. Descobri ano passado que tinham MUITAS coisas em mim que ainda queria melhorar. São muitas coisas, mas sei que ainda é só o começo. E espero consegui-las mais e mais em 2018 (e em todos os anos).
Espero me descobrir mais como realmente sou e ser mais feliz (comigo e com os outros) neste ano. Feliz 2018 para quem quer que leia.

Filmes: Philomena

Descobri Philomena por acaso. Lá por fevereiro, quando estava fissurada em filmes, comecei a procurar diversos na Netflix e os adicionando na “minha lista” para assistir depois. Philomena foi um deles.
Porém, nos últimos meses, estou assistindo muito mais séries e dei um tempo nos filmes – infelizmente, acho que estou meio esgotada e acabo vegetando e lembro de assistir algum depois de muito tempo.
Mas, foi diferente. Em uma sexta-feira, tinha acabado de comprar um coturno e mesmo estando louca para usar, decidi esperar e fiz a péssima escolha de ir de tênis ao estágio. Desde o dia anterior estava chovendo, mas não muito. Normalmente, vou para o estágio a pé da rodoviária – o que dá uma meia hora, no máximo – e minha mãe me aconselhou a ir de ônibus, caso estivesse chovendo muito. Quando saí da rodoviária, estava uma chuva tranquila e segui com a vida normalmente. No meio do caminho, começou a chover tanto, mas tanto, que desisti de desviar de poças d’água e aceitei meu destino de ficar encharcada. Assim que cheguei ao estágio, decidi que não iria para a faculdade e que voltaria para a casa, tomar um banho e descansar.
Não sei vocês que ficam em casa direto, mas eu que só passo o fim de semana (e olhe lá) em casa, adoro voltar para ela depois do estágio. Dá uma sensação de conforto e paz, principalmente, quando um dia foi tão difícil quanto aquele – já que eu tinha certeza que ficaria gripada, pois passei o dia inteiro com o pé molhado. E, qualquer oportunidade que tenho, eu volto.
Voltei. Tomei um banho e jantei. Minha mãe decidiu ir à missa e como ficaria sozinha em casa durante, no mínimo, uma hora e meia, decidi assistir a um filme. No celular mesmo, o que, para mim, significa Netflix.
Sem inspirações, passei pela minha lista e achei o Philomena. Na capa, apresentava um homem e uma idosa, ambos estavam rindo. Abri, li a sinopse e comecei a assistir.
O filme conta a história da busca de Philomena Lee por seu filho mais velho. A mulher, já idosa, conta para sua filha que quando mais nova teve um filho que foi dado, sem ela saber e contra sua vontade, para a adoção. Depois de 50 anos, após revelar o segredo, sua filha encontra um jornalista, Martin Sixsmith, que acabou de ser demitido e está meio sem rumo, e pede para que ele ajude a mãe a encontrar o filho.

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O jornalista ficou muito relutante no início, mas acaba cedendo após um tempo. Consegue uma parceria com uma editora, que patrocina todas as viagens que devem fazer durante essa busca.
O filme é, então, basicamente, a procura pelo filho de Philomena. A história, baseada em fatos reais, resulta em um livro escrito pelo jornalista, O Filho Perdido de Philomena Lee. (O livro existe mesmo!)
As melhores partes do filme são: 1. A reviravolta que acontece 2. A lições de vida que Philomena passa ao jornalista 3. A amizade e companheirismo que passa a existir entre os dois.

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O filme apresenta assuntos BEM pesados de uma maneira leve e simples. Quando deve-se sentir dor, sente-se dor. Quando é para rir, ri-se.
É muito bom e recomendo principalmente por enxergar na Philomena a minha mãe daqui a uns anos.
Ah! Boa parte dele se passa na Europa, então, os cenários são maravilhosos. E assistam prontos para vários choques e dores no coração.
(Este post estava aqui vagando há tempo e nunca achava que estava completo. Agora vi que não precisava de mais nada).

Assistidos em julho e agosto de 2017

(Perdi-me novamente nos assistidos e decidi juntar tudo. Porém, novamente, este post é uma vergonha, pois, em dois meses assisti três filmes inteiros – e dormi no resto. Desculpem por isso) (Como são filmes “cults” – obrigada, Gabriel, por me fazer assisti-los de uma vez por todas -, decidi que seria legal trazê-los em gifs, não só imagens)

tumblr_oujjnvsZbj1sr5vsyo4_r1_540Pulp Fiction, EUA, 1994. Drama/Policial/Thriller. Dir: Quentin Tarantino * **
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Clube da Luta, Alemanha/EUA, 1999. Drama. Dir: David Fincher * **
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Bastardos Inglórios, Alemanha/EUA, 2009. Aventura/Drama/Guerra. Dir: Quentin Tarantino * **

 

 

Filmes: Olhos Grandes

Eu queria assistir esse filme há muito tempo e por várias razões. Primeira: A Lana Del Rey gravou uma música para a trilha sonora dele. Segunda: Ele é dirigido pelo Tim Burton (shame on me por amar os filmes dele). Porém, ao mesmo tempo sempre relutava em assisti-lo (e para isso, não existem razões concretas).
Esses dias, abrindo a Netflix, descobri que ele havia sido adicionado à lista. Li a sinopse, fiquei apaixonada, mais uma vez, e assisti. E, nossa, que filme maravilhoso.

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O filme conta a história real dos Keane. No fim dos anos 50 e início dos 60, Walter Keane tornou-se mundialmente conhecido com seus quadros de crianças, em maioria, com olhos grandes. Porém, quem os pintava era sua esposa, Margaret Keane, em segredo. Depois de anos de Walter levando o crédito, Margaret conta a verdade para o mundo, o que choca o mundo da arte.

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Muito mais do que só retratar a farsa de Walter, o filme retrata fortemente o machismo da época, principalmente no ramo artístico e no lar. Machismo esse que, por mais que pareça que não existe mais, ele ainda está por aí, assombrando a vida de milhares de mulheres.
Por mais que o crédito sendo tomado por ele tenha sido algo que aconteceu sem querer (pela primeira vez), o filme vai mostrando como a obsessão por dinheiro – ao invés da paixão pela arte – vai transformando uma pessoa. E como um segredo pode fazer mal a alguém.

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Dirigido pelo Tim Burton, a tabela de cores apresenta-se um pouco mais alegre do que a maioria de seus filmes, mas trazem algo que só ele consegue trazer. Apresentando a fissura de Walter pelo dinheiro e a dor e pressão que Margaret sofria de pintar diversos quadros em segredo.
O filme, para mim, mostrou-se incrível principalmente por apresentar todas essas questões e por você mesmo conseguir sentir a angústia de Margaret e como aquilo a consumia por dentro. E traz à tona, toda a questão de como mulheres ficam presas em relacionamentos abusivos, sem ao menos perceber, e quando (amém!) percebem e conseguem se libertar do mesmo.
Ah! Ele também mistura algumas partes com fantasia, para dar mais realismo ao sentimento da cena. Porém, como qualquer filme baseado em história real, fico com um pé meio atrás se os fatos realmente aconteceram daquela maneira (mas, a foto da atriz, Amy Adams, com a Margaret Keane no final, me convenceu que a maioria dos acontecimentos apresentados aconteceram mesmo).
É um filme forte e ao mesmo tempo leve. Eu realmente não esperar gostar tanto filme quanto eu gostei. E recomendar tanto assim.
Acredito que é isso. Não posto há um tempo e, talvez, tenha perdido a prática. Mas, por favor, assistam esse filme.

Assistidos em Maio e Junho de 2017

(Eu meio que me perdi nos assistidos e assisti pouca coisa, então decidi juntar tudo)

* netflix // ** popcorn time // *** youtube

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Philomena, EUA/França/UK/Irlanda, 2013. Drama. Dir: Stephen Frears * **
tumblr_oq89fupyY91v4a8wfo1_500A Cabana, EUA, 2017. Drama. Dir: Stuart Hazeldine
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Z: A Cidade Perdida, EUA, 2016. Ação/Aventura/Biografia. Dir: James Gray
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O Mágico de Oz, EUA, 1939. Aventura/Família/Fantasia/Musical. Dir: George Cukor/Mervyn LeRoy/Norman Taurog/Victor Fleming
tumblr_oqkomnCA1z1vz89hmo2_1280Mommy, Canadá, 2014. Drama. Dir: Xavier Dolan * **
tumblr_ok76q9bOjx1u5aj29o10_500Hurricane Bianca, EUA, 2016. Comédia. Dir: Matt Kugelman *
tumblr_nn977wSAyi1rchc4bo1_500O Garoto da Casa ao Lado, EUA, 2015. Thriller. Dir: Rob Cohen *
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Olhos Grandes, EUA, 2014. Biografia/Drama. Dir: Tim Burton *
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Relatos Selvagens, Argentina/Espanha, 2014. Comédia/Drama/Thriller. Dir; Damián Szifron