Amores e felicidade

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Há uma amplitude de sinônimos das palavras “amor” e “felicidade”. Embora, o mundo inteiro acredite que conheça a real definição delas, a maioria a desconhece. O mesmo número de conceitos que existem para cada uma das palavras, existe em subjetividade. Não há uma definição certa: pois, para cada pessoa, “amor” e “felicidade” significam coisas totalmente diferentes.
O problema é que, mesmo sabendo que a minha felicidade não é a mesma do indivíduo ao lado, eu busco a felicidade geral. O senso comum. (Logo eu, que faço um curso que me ensina, diariamente, a não acreditar – e muito menos reproduzir – nas ideias do senso comum).
A principal ideia que remete à felicidade é a estabilidade – a pessoa encontrar o amor da sua vida, casar com esse amor, construir uma família, enquanto vive seus dias em um emprego comum preso à rotina.
Os conceitos de “amor” e “felicidade” andam juntos, para a maioria das pessoas. E isso provoca diversos equívocos, como:
1. Todo mundo acredita que só será, verdadeiramente, feliz quando encontrar o “amor da sua vida” – e que por favor, o encontro e todo o relacionamento se baseie em romances bregas para adolescentes (que por sinal, não posso julgar, pois, adoro).
2. Acreditando nisso, as pessoas vivem em função de proporcionar esse encontro – que deveria ocorrer de maneira natural, mas que deve ser planejado nos mínimos detalhes para ser perfeito.
3. As pessoas não se contentam com qualquer outra felicidade, além daquela trazida pelo “amor”.
4. E por o buscarem tanto, contentam-se com qualquer demonstração de carinho, acreditando que estar com uma pessoa ao seu lado, seja amor.
Deixe-me contar que não é.
Sou muito nova para dizer e afirmar o que é amor. Muito mais para ter vivido algo parecido com o amor apresentado em livros, porém, eu sou observadora.
Não querendo me gabar, mas nesses anos que passei na Terra, aprendi a observar as pessoas ao meu redor. E aprendi que não existe só um tipo de amor, como não existe só um tipo de felicidade.
A crença de que amores de verdade são aqueles que lhe tiram o ar e deixam pensando na pessoa todo segundo desde a primeira vez que o viu, está mais do que falho.
Até porque existem diferentes tipos de amor. Porém, o mais puro é aquele que te deixa segura. Deixa-te ser você mesma. E amor de verdade é aquele que vem de pequenos detalhes que você só percebe depois.
Há algum tempo atrás, enquanto eu acreditava que qualquer amor existente no mundo era a mais pura mentira, um gesto, muito simples para muitas pessoas, despertou-me de uma maneira imensurável.
Minha família, em alguns momentos, compra a janta quando alguma de nós não estamos em casa. Nesse dia, em particular, compraram esfirra. Eu, como estava na faculdade, passei longe desse jantar. Porém, na hora que cheguei em casa, havia um recado da minha irmã dizendo que ela havia separado algumas esfirras, para eu comer quando chegasse em casa e mais algumas para levar no dia seguinte na faculdade.

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Ilustração: Henn Kim

Minha irmã quase nunca diz que ama as pessoas. Quase nunca nos abraça. Mas, demonstra o amor imenso que sente por nós nesses momentos. Quem pensaria na irmã que está na faculdade? Ela. Quem está lá para ajudar em qualquer coisa que se precise? Ela.
Essas são as maneiras que ela demonstra seu amor. Esse amor que não é de romance. Esse amor que é bem mais forte – e inquebrável – que qualquer outro.
A partir daí, percebi que o amor vem dos menores e mais imperceptíveis detalhes e momentos. E das pessoas que sempre lhe rodeiam, que sempre estão ao seu lado. E que mais importante: nunca lhe deixarão, não importa quanto o tempo passe e o tanto que já aconteceram entre vocês.
Amor é ficar sem querer nada em troca. Amor é ficar e fazer aquilo que a pessoa não espera – e que nem sabia que queria.
Amor é compreender e sinceridade. É saber que poderá falar qualquer coisa que a pessoa lhe ouvirá – e lhe responderá à mesma altura.
E a felicidade, para mim, foi perceber isso. A felicidade transborda nesses pequenos momentos.
Um dia alguém me disse que a felicidade plena, infelizmente, não existe totalmente. E só agora compreendo o que ela quis me dizer. A felicidade nunca será convicta o bastante para não se abalar por alguns momentos de tristeza. Porque a vida não é só feita de felicidade. E o que as pessoas se esquecem é que os momentos tristes são necessários. Lá no fundo, depois de algum tempo, a dor lhe ensina algo. E se não ensina, e se você tem a sorte de ser algum tipo de artista, lhe auxila em tua arte.
O amor move o mundo. E ele traz felicidade. Que ajuda o mundo a permanecer são enquanto enfrenta um completo caos.
Cada um tem seu amor, ou seus amores. E cada um tem sua felicidade, seus momentos.
Não há a necessidade de buscar a do outro. Cada um é único e precisamos dessas diferenças.

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