Aleatoriedades

Cafés, chás e tentativas

Sempre gritei, com orgulho, que não gostava de café. Que não me renderia aos prazeres e tentações da cafeína – de deixar seu corpo e parte do seu cérebro funcionando enquanto a maior parte de você está adormecida.
Rio do meu pensamento anterior enquanto olho para o pequeno copo de plástico cheio de café na tentativa falha de manter-me acordada.
“É o antialérgico que tomei hoje”, tento redimir-me comigo mesma. Porém, não há mais volta. Rendi-me a esses prazeres que tanto me assombraram por anos. E mesmo assim, ainda tento criar desculpas e argumentos do porquê isso é necessário. (Quando, na verdade, eu só o quero tomar mesmo).

2c17bc5300c58f99ea4123e9cda05bcdIlustração: Henn Kim

Lembro-me do processo lento e progressivo que tive até, efetivamente, assumir que tomo café (com leite com achocolatado, de preferência, por favor).
Primeiro, o chocolate da máquina do estágio com umas três gotas do café feito toda manhã. Depois, o cappuccino da máquina com mais gotas que anterior do café que está no bule.
Recordo-me de como foi descobrir a delícia que era comer Bel Vita ou um pão de queijo acompanhado de café. E de surpreender-me ao notar que essa rotina poderia ser uma ao qual eu tinha a possibilidade de me acostumar. E até gostar.
Aprendi os truques. Tomar antes que esfrie (fica pior ainda). Misturar com um sachê de açúcar. Controlar a cara feia.
A bebida, quente, ainda desce amarga pela minha garganta. Ainda cai como chumbo em meu estômago. Entretanto, me dá a falsa noção de estar desperta. E agarro-me a ela, agora, quando meus olhos piscam e a cabeça tomba, pesada.
Acostumei-me. Agora, quando me oferecem um café, analiso bem. Ao invés do “não” automático, seria tão ruim assim? Talvez seja necessário, penso. E, assim, ocasionalmente, aceito. Permitindo, também, olhar de outra maneira para a bebida que eu mais odiava no mundo e conceder a liberdade que ela entre, gradualmente, em minha vida.
Demorou cerca de quatro anos. Mas, cá estou. Rindo de nervoso para o próximo copinho com café que irei tomar.
Planejo-me, penso e espero ir em uma cafeteria. Pedir uma xícara de café e sentar tranquilamente, lendo um livro – algo que sempre admirei, mas nunca consegui.
E por mais que tenha tido esse progresso com o café, algo que ainda me prende nesse mundo de “bebidas que não suporto” é o chá.
Experimentei. Duas, três, quatro vezes. Não me desce. Tentei, mudei minha opinião, passei a admirar e “achar chique” quem consegue esquentar uma água, colocar o sache e ficar tranquila com a bebida.
Tentei de novo. Nada. Não sinto gosto, não acostumo, não vejo vantagem nenhuma. Achei melhor deixar para lá e dar chance para experimentar outras coisas. Mais legais, mais calmas, que me trarão algo, ou até mesmo nada.
Aceitei que sempre que alguém me oferecer chá, terei de dizer “não, obrigada” e até, se necessário, liberar o “não gosto, obrigada”.

a9c0791dbc97e5418cf6548f59b39947Ilustração: Henn Kim

Há coisas na vida que devemos nos permitir gostar e outras que devemos nos proporcionar evitar. Aprendi a gostar de café e compreendi que não gosto, realmente, de chá. Como também revivi esse processo e firmei esses entendimentos com diversas outras coisas – e diversas pessoas por aí.
Tem pessoas, manias, coisas e experiências que gosto, acostumei, e quero ao meu lado, em minha vida, inserida na minha rotina. E outras que evito e deixo ir – e serem os gostos de outras pessoas.
Esses são processos naturais que ocorrem quando necessário. Notamos todas essas ideias e gostos quando estamos prontos – sem nos apressar e nos atrasar em momento algum. E o mais importante: descobrimos quando, como e até onde insistir em um gosto, algo ou alguém.
Com o chá, a tentativa não durou dois meses e terminou em malogro. Com o café, a tentativa levou anos e obteve sucesso.
Tudo tem seu tempo. Tudo tem seu gosto. Aprendi os meus e continuo-os aprendendo. O esforço é eterno – e nunca deve ser esquecido (tanto quando há triunfo ou quando resulta em ruína). Devemos aceitar e apreciar a tentativa. E sempre, sempre, sempre, devemos tentar.

31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor

Vi um post com essas perguntas no Pe-dri-nha, e fiquei muito animada para fazer (até porque né, sou a louca de responder essas perguntas). Sem contar que é um ótimo jeito de saberem um pouco coisas aleatórias dessa que vos escreve – coisa que eu gostaria de desenvolver mais por aqui, coisas mais pessoas.
Então, lá vai:

1. Você gosta de coentro ou acha que tem gosto de sabonete?
Nunca achei que tinha gosto de sabonete, e eu gosto, até. Mas, não faço questão que esteja em toda comida.

2. O que você acha de áudios do WhatsApp?
Necessários em alguns casos, engraçados em outros, desnecessários na maioria.

3. Você também comia o chocolate da Turma da Mônica pelas bordinhas?
Não comia esse chocolate 😦

4. Qual é a melhor consoante do alfabeto?
E, G e H.

5. Qual é a primeira rede social que você vê de manhã?
Depende do dia. Se tiver notificação, é o whatsapp. Se não, twitter, sem sombra de dúvidas.

6. Você acha que existe alguma bala melhor que 7 Belo?
Iogurte >>>>>>> qualquer bala da vida, sério.

7. Que cor você acha menos confiável?
Verde. Sem trocadilhos, mas o acho muito traiçoeiro. Tipo, dependendo do tom fica lindo e dependendo do tom fica uma bosta (quase literalmente).

8. Qual foi o último filme que você viu e odiou?
O Artista. Tipo, é muito interessante e bom, mas fui com umas expectativas e eles as jogaram no lixo.

9. Qual animal parece mais simpático, um pato ou um golfinho?
Golfinho. Animais com bicos são perigosos e loucos – sem contar que rola um medinho de ser bicada.

10. Toddy ou Nescau?
Toddy. Judge me.

11. Você acha que bebês conversam uns com os outros?
Sim. Como os animais também conversam entre si. (Percebi que pode trazer uma ambiguidade, como se eu estivesse chamando bebês de animais, mas juro que não é isso)

12. Sabia que todo mundo é feito de poeira de estrelas?
Sim. E acho isso uma loucura maravilhosa.

13. Ouro Branco ou Sonho de Valsa?
Ouro Branco né, pelo amor. (Porém, como os dois, sem problema nenhum).

14. Qual era seu desenho favorito na infância?
Jackie Chan. Sei que tem um puta nome complexo, mas era assim que eu chamava e eu amava muito esse desenho.

15. Que série você jamais reveria?
Nenhuma. Só assisti umas três séries inteiras. E reveria todas tranquilamente – se eu revesse séries.

16. Qual personagem do Harry Potter você menos gosta?
Vale dois? Harry e Rony (acho ele muito irritante, perdão).

17. Qual é sua opinião sobre barrinhas de cereal?
Boas e exóticas.

18. Com quem você dividiria um Bis?
Com quem estivesse comigo no momento.

19. O que você faria se achasse R$ 50 na rua?
Compraria um fone e umas comidas/sorvetes.

20. Quanto tempo uma comida precisa estar na geladeira para você considerar ela velha?
Até ela estar com uma aparência/cheiro estranho.

21. Qual é seu número preferido?
Quatro. Oito. E dois.

22. Qual é o aplicativo mais inútil do seu celular?
Incrivelmente, o do wordpress. É o que eu menos acesso.

23. Quem você tiraria do elenco de “Friends” se fosse obrigado?
Ross. Eu adoro ele, mas ele faz uns dramas que eu fico ?????? (Querido, cê é adulto. SUPERA E SEGUE A VIDA). Ah, e a Phoebe. Ela é muito engraçada, mas meio egoísta e sem noção.

24. Você é contra ou a favor de comer macarrão com arroz?
Eu não curto. Mas, cada um faz o que quiser – principalmente, com seu prato.

25. Qual foi a última vez que você precisou usar a Fórmula de Bhaskara?
No segundo ano do ensino médio.

26. Você acha que dá para morrer de overdose de rúcula?
Acredito (e espero) que não.

27. Quanto tempo você levou para entender como funciona o Snapchat?
Uma semana? Eu fiquei tentando entender mesmo.

28. Qual é sua opção favorita no restaurante por quilo?
Vinagrete ❤

29. Você gosta de “Sorry” do Justin Bieber?
Sim!!!! Fiquei viciada durante semanas e o amor não sumiu ainda (mas, parei de ouvir por completo).

30. Você prefere passar muito frio ou muito calor?
Nenhum, nem outro. Odeio os dois extremos.

31. Você está dormindo e sobe uma barata na sua cara. Você prefere continuar dormindo e nunca saber ou acordar e fazer alguma coisa?
Dormir e nunca saber. (Apesar que tenho quase certeza que eu acordaria mesmo assim, mas né).

Um texto positivo

(Comecei a escrever esse texto porque precisava de algo positivo e não o encontrava. Até perceber que, para começar, devia encontrar esse positivismo dentro de mim mesma. E é mais um desabafo e uma motivação)

0b472547809643.58860c15a157dIlustração: Xuan Ioc Xuan

Sempre procuro, na grande maioria das vezes dentro de mim mesma, palavras de animação para que eu siga em frente. Ideias positivas que não façam com que eu permaneça empacada e congelada – por medo, por conforto.
De acordo com a astrologia, sou uma pessoa positiva nata. Vejo um lado bom em tudo e enxergo um futuro com o brilho inexistente para a maior parte das pessoas. Porém, ser assim na vida real é mil vezes mais difícil.
Sofro de ansiedade. Mesmo. Real. Já passei noites em claro pelo simples fato de estar preocupada com algo que, na minha cabeça, estava acontecendo nitidamente – quando, na realidade, não estava.
Passei o ensino médio inteiro questionando-me se estava escolhendo a profissão correta – mesmo anunciando aos quatro cantos do mundo desde 2008 que eu queria ser jornalista. Até hoje, no meu terceiro ano de faculdade, pergunto-me isso.
E mesmo com tudo isso, eu levo em minha vida o pensamento de que tudo dará certo. Não importa se não pareça o certo no momento. Se está acontecendo contigo, é o certo.
Vivi isso na pele em 2015, quando eu estava entre fazer estágio em processamento de dados, a famigerada programação, e começar minha faculdade de jornalismo.
Sempre havia sonhado com jornalismo, mas todo estágio requeria um futuro como programadora – e eu precisava do estágio para receber o diploma do técnico. Sem contar que a minha única chance de entrar na faculdade, o ProUni, era tão incerto quanto dirigir de olhos vendados.
Mesmo assim, estava tentando ambos. Passei na primeira chamada em jornalismo matutino. Fiquei horas na fila de espera para o atendimento do ProUni, para descobrir que não havia formado turma de manhã. Saindo sem esperanças, recebo um telefonema do estágio – que estava há semanas sem entrar em contato – chamando-me para outra fase do processo seletivo. Uma nova esperança surgiu.
Fiz essa parte do processo e enquanto aguardava a resposta, passei na segundo chamada do ProUni em jornalismo no período da noite.
Fiz minha matrícula no meu curso ao mesmo tempo que era recusada no estágio de programação – sendo que eles não me aceitariam ali se não estivesse fazendo qualquer curso relacionado à computação.
Menos de dez meses depois, comecei meu estágio em jornalismo. Coisa que, realmente, não seria possível se estivesse na programação.

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Ilustração: Xuan Ioc Xuan

Em menos de uma semana, passei por diversas reviravoltas – as quais não entendia -, mas que, no fim, fizeram o maior sentido e agradeço imensamente.
Acredito que não estaria tão feliz programando quanto estou escrevendo textos, matérias e releases. Quanto estou fazendo (minha primeiro aula de) rádio. Quanto estou na expectativa de fazer um documentário para concluir meu curso.
Sei que acontecem milhares coisas na vida que nos impedem de ver um lado positivo. Porém, confia em mim quando digo que há um lado bom. Que, realmente, o que aconteceu é o certo – por mais que não pareça no momento.
E no fim de tudo aquilo, não receberei meu diploma do técnico. Mas, quem se importa? Ele foi finalizado – e agradeço MUITO pelo aprendizado e toda a experiência, fora da programação, que ele me trouxe.
Por causa daqueles anos, conheci pessoas que estão na minha vida até hoje, aprendi a me virar em uma cidade desconhecida, vi o que era cansaço e passei a levar minha casa na mochila – e desenvolvi a habilidade de fazer casa em qualquer lugar.
Agora, não acrescentam muito. Mas, naquela época foi de extrema importância, pois, sem aquelas experiências, eu NUNCA teria vindo fazer faculdade e quem dirá começar um estágio?
Tudo é aprendizado. Devemos muito ver o lado bom das coisas.
Por mais que seja difícil. Por mais cansado que esteja.
Ver o lado positivo é um exercício diário – que deve ser trabalhado sempre e com cuidado.
Mesmo eu tendo diversos problemas para pensar assim às vezes, me obrigo a pensar em todas as coisas boas que já aconteceram, e que podem acontecer.
Listo, mentalmente, e isso vai me ajudando.
Vou lidando com a ansiedade ao mesmo tempo que vou aprendendo a ser mais positiva – e a fazer mais do que falar.
E estou indo. Porque a vida é continuar e ir indo – não importa o que esteja acontecendo.

Amores e felicidade

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Há uma amplitude de sinônimos das palavras “amor” e “felicidade”. Embora, o mundo inteiro acredite que conheça a real definição delas, a maioria a desconhece. O mesmo número de conceitos que existem para cada uma das palavras, existe em subjetividade. Não há uma definição certa: pois, para cada pessoa, “amor” e “felicidade” significam coisas totalmente diferentes.
O problema é que, mesmo sabendo que a minha felicidade não é a mesma do indivíduo ao lado, eu busco a felicidade geral. O senso comum. (Logo eu, que faço um curso que me ensina, diariamente, a não acreditar – e muito menos reproduzir – nas ideias do senso comum).
A principal ideia que remete à felicidade é a estabilidade – a pessoa encontrar o amor da sua vida, casar com esse amor, construir uma família, enquanto vive seus dias em um emprego comum preso à rotina.
Os conceitos de “amor” e “felicidade” andam juntos, para a maioria das pessoas. E isso provoca diversos equívocos, como:
1. Todo mundo acredita que só será, verdadeiramente, feliz quando encontrar o “amor da sua vida” – e que por favor, o encontro e todo o relacionamento se baseie em romances bregas para adolescentes (que por sinal, não posso julgar, pois, adoro).
2. Acreditando nisso, as pessoas vivem em função de proporcionar esse encontro – que deveria ocorrer de maneira natural, mas que deve ser planejado nos mínimos detalhes para ser perfeito.
3. As pessoas não se contentam com qualquer outra felicidade, além daquela trazida pelo “amor”.
4. E por o buscarem tanto, contentam-se com qualquer demonstração de carinho, acreditando que estar com uma pessoa ao seu lado, seja amor.
Deixe-me contar que não é.
Sou muito nova para dizer e afirmar o que é amor. Muito mais para ter vivido algo parecido com o amor apresentado em livros, porém, eu sou observadora.
Não querendo me gabar, mas nesses anos que passei na Terra, aprendi a observar as pessoas ao meu redor. E aprendi que não existe só um tipo de amor, como não existe só um tipo de felicidade.
A crença de que amores de verdade são aqueles que lhe tiram o ar e deixam pensando na pessoa todo segundo desde a primeira vez que o viu, está mais do que falho.
Até porque existem diferentes tipos de amor. Porém, o mais puro é aquele que te deixa segura. Deixa-te ser você mesma. E amor de verdade é aquele que vem de pequenos detalhes que você só percebe depois.
Há algum tempo atrás, enquanto eu acreditava que qualquer amor existente no mundo era a mais pura mentira, um gesto, muito simples para muitas pessoas, despertou-me de uma maneira imensurável.
Minha família, em alguns momentos, compra a janta quando alguma de nós não estamos em casa. Nesse dia, em particular, compraram esfirra. Eu, como estava na faculdade, passei longe desse jantar. Porém, na hora que cheguei em casa, havia um recado da minha irmã dizendo que ela havia separado algumas esfirras, para eu comer quando chegasse em casa e mais algumas para levar no dia seguinte na faculdade.

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Ilustração: Henn Kim

Minha irmã quase nunca diz que ama as pessoas. Quase nunca nos abraça. Mas, demonstra o amor imenso que sente por nós nesses momentos. Quem pensaria na irmã que está na faculdade? Ela. Quem está lá para ajudar em qualquer coisa que se precise? Ela.
Essas são as maneiras que ela demonstra seu amor. Esse amor que não é de romance. Esse amor que é bem mais forte – e inquebrável – que qualquer outro.
A partir daí, percebi que o amor vem dos menores e mais imperceptíveis detalhes e momentos. E das pessoas que sempre lhe rodeiam, que sempre estão ao seu lado. E que mais importante: nunca lhe deixarão, não importa quanto o tempo passe e o tanto que já aconteceram entre vocês.
Amor é ficar sem querer nada em troca. Amor é ficar e fazer aquilo que a pessoa não espera – e que nem sabia que queria.
Amor é compreender e sinceridade. É saber que poderá falar qualquer coisa que a pessoa lhe ouvirá – e lhe responderá à mesma altura.
E a felicidade, para mim, foi perceber isso. A felicidade transborda nesses pequenos momentos.
Um dia alguém me disse que a felicidade plena, infelizmente, não existe totalmente. E só agora compreendo o que ela quis me dizer. A felicidade nunca será convicta o bastante para não se abalar por alguns momentos de tristeza. Porque a vida não é só feita de felicidade. E o que as pessoas se esquecem é que os momentos tristes são necessários. Lá no fundo, depois de algum tempo, a dor lhe ensina algo. E se não ensina, e se você tem a sorte de ser algum tipo de artista, lhe auxila em tua arte.
O amor move o mundo. E ele traz felicidade. Que ajuda o mundo a permanecer são enquanto enfrenta um completo caos.
Cada um tem seu amor, ou seus amores. E cada um tem sua felicidade, seus momentos.
Não há a necessidade de buscar a do outro. Cada um é único e precisamos dessas diferenças.

Algumas dicas aleatórias

Parando para pensar nesses dias, ando lendo – e assistindo – diversas coisas que eu gostaria, muito, de indicar para alguém – qualquer pessoa, na verdade.
Adoro procurar e me viciar em coisas aleatórias, canais, livros, filmes etc. E eu só gostaria de compartilhar essas coisas – já que eles me influenciaram e talvez, tenha proporcionado algumas mudanças aqui no blog.
E enfim, lá vai:

Pe-dri-nha (blog e canais):
Encontrei a Manie MUITO por acaso. Em uma das vezes que estava perambulando pelo youtube, apareceu nas sugestões um vídeo dela com o título “Meus filmes favoritos”. Assisti o vídeo, gostei do conteúdo e dela. Fui ler a descrição e descobri que ela tem um blog e um canal novo.
Estou completamente apaixonada pelo blog porque ela, literalmente, aborda os mais variados assuntos e traz DIVERSAS dicas maravilhosas – como cozinhar, estudar etc. Além das dicas de livros e filmes e textos que me abriram um olhos.
Parece exagero, mas não é. (Na verdade, ela é um dos motivos pelos quais o conteúdo do blog vai mudar, um pouco, pelo menos).
Para quem quiser: blog | canal novo | canal antigo

Sophia Lautert (blog e canal):
Sei que já a indiquei, indiretamente, ela por aqui no primeiro post de filmes assistidos, porém, venho por meio deste indicá-la de uma maneira correta. Sophia é gaúcha, estuda cinema e faz os melhores vídeos do mundo. Só de assistir um, eu já fico calma (e é sério). Ela tem toda uma sacada que faz o canal dela ser diferente de qualquer outro. Parece, realmente, um curta dirigido por alguém famoso.
O blog dela também não poderia ser diferente. Descobri meio tarde demais, mas adorei. Lá, ela dá dicas de filmes, séries etc (coisa que acontece no canal dela), mas conta um pouquinho da vida dela e posta ensaios – lindos – que ela faz. Ah, e looks do dia! (Adoro as roupas dela).
Se joguem: blog | canal

Bárbara Matsuda (canal e textos):
Assisto aos vídeos da Bárbara há uns dois anos. Ela acabou de se formar em artes e mantém um canal onde fala sobre moda, filmes, séries e livros. Adoro os filmes que ela fala em seus vídeos e as indicações. Os livros são melhores ainda (e foi ela que me deixou em um fascínio ENORME por “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”). E ela tem uma visão de tudo isso que torna tudo único, sabe? Não sei explicar bem, mas sempre volta a assistir os vídeos dela.
E depois de muito tempo a acompanhando, descobri um blog onde ela publica alguns textos dela e juro que fiquei meio obcecada pelos textos e a forma de escrita dela.
Vambora: canal | textos

Filme Elena e sua trilha sonora:
Como estou fazendo este post menos de cinco dias depois de assistir esse filme, obviamente, irei indicá-lo. E não tenho palavras para expressar o quanto ele é maravilhoso (juro que tentei nessa resenha, mas tenho quase certeza que não deu certo). Mas, também, venho indicar a trilha sonora que faz com que ele fique mais incrível ainda. (E fiz um compilado no meu Spotify, se quiser ver).

Douglas (<3):
Como indicar alguma coisa nessa vida e não indicar o lindo e maravilhoso do Douglas? (Que eu já indiquei e indicarei mais um milhão de vezes). Eu nunca tenho palavras para descrever o quanto adoro o blog dele e o quanto vocês devem acessá-lo.

Twitter:
Acredito que essa seja a dica mais aleatória de todas – já que não é um blog, um canal ou um filme. Mas, sim, eu indico o twitter. Sempre indiquei na verdade, mas volto a frisar que essa é a melhor rede social do mundo. As notícias (e zoeiras) saem muito mais rápido, dá para reclamar da vida, brincar e ser você mesmo – algo que, infelizmente, não se pode no facebook já que fica meio imposto uma “conduta” a ser seguida. E é maravilhoso. Tentem, sério. Aposto que não irão se arrepender.

Feminismo = Liberdade

AVISO DE POSSÍVEL TEXTÃO – dependendo do seu nível de leitura

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Descobri-me feminista aos 16 anos. Em uma conversa casual com a Veridiane – olha ela aí, de novo. (Digo que “descobri-me feminista”, pois, acredito que já cresci sendo feminista, mas nunca sabendo como lidar e muito menos o que era).
Nasci em uma família extremamente patriarcal, mesmo com todas as chances de não ser assim. A maioria são mulheres – tenho quatro irmãs – e a pessoa que trabalhava fora e trazia o dinheiro para o sustento do lar era minha mãe. Mesmo assim, a pessoa que mais comandava em casa era meu pai. A palavra final era sempre a dele, por mais que ele não fizesse nada para organizar a casa e a vida das pessoas ao redor.
Lembro de pensar, “por que minha mãe trabalha e meu pai decide o que é feito com o dinheiro?”. E lembro mais ainda de ter aprendido a não questionar isso, não questionar nada.
Cresci aprendendo a maneira com que as mulheres deveriam ser – comecei a arrumar a casa e lavar a louça aos oito anos, enquanto via meu pai chegar em casa e simplesmente ir dormir. Ouvia ele berrando que era meu serviço limpar as coisas e que ele queria tudo limpo, e iria conferir depois. Cresci tendo que respeitar as ideias, opiniões e falas que saíam de sua boca. Aprendi que deveria respeitá-lo, mesmo ele não fazendo o mesmo comigo e qualquer outra pessoa. Memorizei que não deveria questionar ou reclamar de nada, deveria concordar instantaneamente, por mais que não concordasse com aquilo.
Lembro de pensar que nada disso fazer sentido para mim. E de não tentar fazer nada para mudar isso.
As questões de “se você não quer cozinhar, como irá fazer quando casar?”, que eram feitas quando eu me recusava a aprender a cozinhar um arroz, por exemplo – que só aconteceu quando eu tinha uns 12 anos – sempre surgiam, não importava a ocasião.
Quando era criança, não podia conversar muito com as minhas irmãs, ou com a minha mãe. Se estava mal em alguma noite, eu deveria acordar minha mãe da maneira mais silenciosa que havia encontrado – no caso, engatinhando até seu lado da cama, cutucando-a, chamando-a para o banheiro para, então, falar o problema – pois, o sono do meu pai era mais precioso que tudo.
Meus pais se separaram quando eu tinha 11 anos. E toda a pressão de ter um homem em casa e fazer tudo para o seu bem-estar acabou. Éramos só as mulheres. Livres. Para conversarmos, andarmos como quisermos e comer o que bem entendermos – sem levar em total consideração a opinião do meu pai. Porém, as questões de cozinha e limpeza da casa – que eu deveria aprender para quando eu casasse – sempre voltavam.
Foi em 2014, cinco anos depois da liberdade, que tive a conversa que me abriu os olhos para o feminismo. Veio por meio da Veridiane, a questão de que, talvez, eu fosse feminista. Em uma conversa sincera com ela, lhe contei toda minha história de infância – e como havia mudado e minhas opiniões sobre cada coisa – e foi quando ela virou e falou “acho que, assim como eu, você é feminista”.
Honestamente, nunca havia ouvido falar nisso. E comecei a pesquisar. Na internet, o feminismo possui diversas – muitas mesmo – definições, e aqui estão algumas que encontrei:

1 – Sistema dos que preconizam a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem.
Site Dicionário do Aurélio – https://dicionariodoaurelio.com/feminismo
2 – Feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres e que existe desde o século XIX.
O que é feminismo? Carta Capital – http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-e-feminismo-2198.html
3 – Feminismo é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens.
Significados – https://www.significados.com.br/feminismo/
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1. Doutrina cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre mulheres e homens.
2. Movimento que combate a desigualdade de direitos entre mulheres e homens.
3. Ideologia que defende a igualdade, em todos os aspectos (social, político, econômico), entre homens e mulheres.
Dicionário Informal – http://www.dicionarioinformal.com.br/feminismo/

Entretanto, honestamente, acredito que toda e qualquer definição muda de pessoa para a pessoa. Por mais que existam pesquisas e termos – relativamente certos – a subjetividade é quem nos diz o que cada palavra da língua significa.
No começo do ano passado, na faculdade, realizamos um mini (mini mini mini) documentário sobre feminismo nas redes sociais, ou #FEMINISMO. A ideia era abordar como a luta atua no meio da internet e como isso poderia ajudar, ou não, e afetar os ideais e a luta em si.
Lembro que a primeira pergunta que fazíamos para as fontes – tanto a favor quanto contra o feminismo – era “o que é o feminismo para você?”. Creio que tenha sido uma pergunta importante, pois, cada uma delas nos respondeu de uma maneira completamente diferente da outra.
Para mim, feminismo representa liberdade. A tão sonhada liberdade que eu tive dentro da minha própria casa após a separação dos meus pais, mas em um nível totalmente novo e imenso. Expandida em um milhão e atingindo todos os lugares do mundo. Uma liberdade que me permite ser quem eu sou, do jeito que eu quiser, aonde quer que eu esteja.
Ao mesmo tempo que fazíamos o documentário, escrevemos um artigo sobre feminismo, e uma das coisas que escrevemos foi:

Feminismo, na significação literal, significa uma pessoa que acredita na igualdade econômica, política e social dos sexos. Porém, para quem faz parte deste mundo, que aceitou e estampou que se aceita feminista, é algo a mais. Para a maioria das mulheres, é a busca por conquistar o direito de escolha. É poder dizer: “tudo bem eu querer fazer algo diferente com a minha vida, porque, bem, é a minha vida e a de mais ninguém”. É o poder da escolha, da dúvida e da certeza, sem qualquer interferência externa. […]O feminismo ensina que você deve fazer o que quiser, desde que não interfira na vida alheia. Ele mostra às mulheres que se elas quiserem ser mães, tudo bem, e se elas não quiserem ser mães, tudo bem também. Ele dá o direito de escolha do que fazer com a sua vida.

E a parte mais legal de tudo isso é, que não sei vocês, mas quando eu comecei a aprofundar mais na questão do feminismo – e na luta -, ampliei isso para uma liberdade para todos. Ele me ajudou a ver que todos são livres para serem e fazerem o que quiserem – desde que, óbvio, não afetem a vida de outra pessoa.

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Ele mostra como questões ensinadas e aprendidas desde criança sobre a vida “feminina” – entre aspas porque entra na questão de gênero – são impostas por uma sociedade que quer escolher como devemos ser, pensar e agir. Cria-se uma ideia de como devemos viver pelo simples fato de sermos mulher – coisa que, na maioria das vezes, não se aplica ao mesmo nível para os homens.
Okay, ambos os gêneros lidam com problemas de roupa e brinquedos “de menino e de menina”? Sim. Porém, quase nunca vejo imposto aos homens o trabalho de uma vida – como é colocado para as mulheres a maternidade. As mulheres devem almejar serem mães, senão, nunca estarão completas, enquanto, o homem, é coagido a arrumar um emprego bom e que forneça uma boa renda. Se ele decide ser pai – é uma festa, pois, “que cara ótimo” -, se ela decide não ser mãe – “mas, poxa, é o maior amor da sua vida”.
Isso também me ajudou a lidar com críticas negativas e desnecessárias, evitar fofocas e julgamentos. “Fulano está saindo todo final de semana”. E daí? O dinheiro é seu? As festas que ele vai são suas? Não. Pois, bem, então, fulano tem todo o direito de fazer isso.
“Nossa, tal pessoa pintou o cabelo de azul”. Se você não gosta, problema seu. Tal pessoa gosta e se ela gostou da mudança, então, ela está radiante e totalmente bela.
Podem parecer respostas grossas, mas são libertadoras. Ao mesmo tempo que você livra alguém de um julgamento desnecessário, você se livra de picuinhas e estresses sobre algo que não lhe diz respeito.
Com o feminismo, eu percebi que eu comando minha vida. Claro que existem coisas que terei que fazer mesmo não gostando – para sobreviver, a maioria delas – mas, essa é a vida. Porém, no que diz respeito à minha vida, meu corpo e minhas escolhas, eu devo ser livre e escolher aquilo que eu quero. E, quase sempre, devo ser egoísta – mesmo odiando egoísmo, percebo que ele se faz necessário em momentos que algo que você esteja fazendo pelos outros, esteja lhe prejudicando, de qualquer maneira possível.
Também aprendi aquela incrível frase clichê, porém, totalmente verdadeira, “eu não sou obrigada a nada (e os outros também não são)”. Isso me ajudou a ver que não é porquê alguém fez algo por mim, porque ela quis, que eu devo algo a ela. Se eu digo que devo algo, ok, então, devo. Mas, se a pessoa fez algo criando uma expectativa de que eu iria corresponder e fazer o mesmo ou alguma outra coisa, ela está errada. E também, ao mesmo tempo que não sou obrigada, a outra pessoa também não é. Não posso cobrar algo de alguém que não seja necessário. Não posso cobrar ações e respostas das quais eu criei totalmente expectativas na minha cabeça.
Todos somos livres e devemos garantir a liberdade do outro, em total igualdade com a nossa.
Claramente, existem temas mais complexos a se tratar além da liberdade alheia – vertentes, feminismo negro, feminicídio, machismo na sociedade em geral e em culturas, igualdade salarial, aborto e questão de gênero (assuntos que eu, realmente, acho que andam de mãos dadas em qualquer conversa) – porém, para o início de uma conversa apresentar como o feminismo liberta, ao invés de lhe aprisionar em uma bolha desconstruída, pareceu-me a primeira coisa a se fazer  e a introdução de possíveis assuntos futuros.
Como sempre, trago dois links – de dois textos – sobre feminismo e liberdade, um que totalmente contradiz a frase “não sou obrigada a nada”, a qual utilizo de maneira equivocada no texto, mas que é maravilhoso de uma maneira incrível – e me ajudaram muito na época do documentário e artigo sobre feminismo.
Você não é obrigada a nada – Anna Vitória Rocha
Você é obrigada, sim – Paloma Engelke

Espero apresentar mais textos assim, porque amo desenvolvê-los.
Até a próxima!
Giulia