Resenhas

Livros: Uma Constelação de Fenômenos Vitais

Vim falar mais uma vez sobre livros – talvez, bem talvez, eu aborde muito este tema aqui.
Desta vez, escrevo sobre um dos livros que virou meu favorito no momento que o peguei – juro que foi amor, real, à primeira vista. O livro se chama Uma Constelação de Fenômenos Vitais, do Anthony Marra.
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Veridiane (olha ela aqui mais uma vez) e eu, desde que nos encontramos naquela fatídico curso de informática – mais precisamente, programação -, descobrimos que ambas eram de humanas e cultivávamos uma enorme paixão por livros. Quando nos tornamos melhores amigas, nada mais natural do que dar de presente uma à outra um livro.
Em 2014, recebo em casa uma caixa dos Correios, que continha: uma garrafa térmica (pois, eu levava uma garrafa plástica para o técnico e depois de meses, ela não adquiriu um cheio muito agradável), esse livro e uma carta, me desejando feliz aniversário.
No livro, contém uma das melhores dedicatórias já escritas para mim e assim que o vi, me apaixonei instantaneamente. Porque, sério, olha essa capa, tem como não se apaixonar assim?
(Depois de meses, quando nos vimos novamente, ela me confessou que me daria outro livro no lugar desse, que havia comprado para ela mesma. Mas, assim que elas viu os dois na sua frente, ela disse que teria que me dar esse e não o outro – que era um romance super meloso – pois, esse gritava por mim)(Ainda me assusto com nossa habilidade de descobrir os livros certos uma para a outra)
O livro conta a história de Havaa, uma menina de oito anos que mora em uma vila de uma cidade pequena na Chechênia, que, uma noite, vê sua casa sendo incendiada por agentes federais russos e seu pai sendo levado como prisioneiro. Ela se esconde na floresta – como tinha sido instruída – e é resgatada pelo vizinho da casa de frente da sua, Akhmed, um médico formado, que se interessava muito mais por artes do que anatomia.
Sem saber muito o que fazer, Akhmed se lembra de uma cirurgiã que lhe foi recomendada que trabalha no hospital da cidade vizinha. No dia seguinte, ele leva a menina lá e pede que a concedam abrigo, oferecendo seus trabalhos como médico em troca.
Sonja, a tal cirurgiã, aceita a oferta pelo simples fato de precisar de mais pessoas trabalhando no hospital – só ficavam ela e outra enfermeira, enquanto recebiam, diariamente, diversos pacientes.
Assim, o livro irá contar o que acontece na vida desses três personagens durante cinco dias que sucedem o acordo.
Porém, o livro vive voltando para coisas que aconteceram na vida de cada um deles – e de pessoas ligadas a eles – antes daquele momento.
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Para quem não entendeu o cenário e ficou meio perdido, como eu sempre ficava quando lia a sinopse, a história se passa durante a segunda guerra da Chechênia, quando agentes federais russos lutavam contra rebeldes libertários pelo “poder” do País, após o fim da União Soviética.
A narração do autor é impecável e descreve, com detalhes precisos, o que acontece em guerras nacionais e como a vida de toda a população muda – principalmente, suas percepções de certo e errado após duas guerras.
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Eu amo livro de guerras – tenho um fascínio enorme – porém, não esperava me surpreender tanto. Marra desenvolveu tão bem seus personagens que até em momentos que eu normalmente sentiria raiva, não conseguia, pois, com a sua descrição, o autor me fazia entender o porquê os personagens agiram daquela maneira, fazendo com que eu sentisse empatia – e nada mais.
Devo dizer que o final é uma das partes mais tristes, mas isso não te impede de chorar do começo ao fim do livro.
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Sem contar que foi incrível como Marra mostrou que, mesmo em uma guerra, como o mundo é pequeno e a vida de todas as pessoas se entrelaçam, de uma maneira ou de outra.
Se for ler e, assim como eu, grifar frases e colar post-its, prepare-se que o livro é recheado de frases inspiradoras que você quer levar para a vida – principalmente a que dá sentido ao nome do livro.

Apenas uma entrada fornecia uma definição adequada, e ela a circulou com tinta vermelha, e recorria a ela todas as noites. Vida: uma constelação de fenômenos vitais – organização, irritabilidade, movimento, crescimento, reprodução, adaptação.

Este que tornou-se, de longe, o meu livro favorito.
Por favor, leiam. Sério. Vai mudar sua vida de uma maneira maravilhosa – ou não, né, novamente, tudo é subjetivo. Entretanto, mudou a minha e aprendi que deveria passar ao próximo aquilo que me fez bem – e mesmo destruindo meu emocional, esse livro me fez bem como nenhum outro no mundo.
Obrigada por mais me acompanharem em mais uma resenha.
E ah, falando em livros, se você quer começar a organizar suas leituras, use o skoob. É fácil adicionar os livros, tem aplicativo (que facilita ainda mais as coisas) e permite a avaliação e a interação entre os usuários – o que é muito legal. E mostra o nível de compatibilidade literária que você tem com a pessoa! (Juro que não é propaganda, é publicidade mesmo porque eu amo aquela rede social).
Até a próxima!
Giulia

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Livros: A Garota que Eu Quero

Olá!
Sei que o último post, fora texto, foi de livros também, mas juro que estou tentando formular um bem legal sobre um festival que eu fui – caso, seja bem ligado ao mundo pop e adolescente, pode desconfiar qual seja o festival.
Enquanto o post não fica completo, venho fazer uma resenha de livro – porque, é verdadeiramente, minha paixão.
O livro do post de hoje é A Garota Que Eu Quero, do Markus Zusak.

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Para quem o nome desse autor não é estranho, ele escreveu A Menina Que Roubava Livros – e daí veio minha necessidade de ler esse livro.
Por A Menina Que Roubava Livros ter mexido comigo de uma maneira descomunal – por diversas razões, como: 1. Cita livros 2. Passa-se na Segunda Guerra Mundial 3. Mostram um lado nunca antes explorado quando se trata de histórias que se passam em Guerra 4. O fim destrói toda e qualquer felicidade e vontade de viver que tu possui 5. Te deixa em uma ressaca literária das bravas, caso não te deixe em um ressaca real, já que é preciso um tempo, e talvez algumas bebidas, para absorver aquele livro -, eu precisava ler outras obras desse autor. Pesquisando, descobri que ele havia publicado outros diversos livros, como Bom de Briga, O Azarão, Eu Sou o Mensageiro e A Garota Que Eu Quero, dos quais eu precisava muito ler para saber se fariam jus ao primeiro livro que li dele – que me fascinou imensamente por conta da escrita e da leveza que ele tratava a narradora, no caso, a própria morte.
Então, permaneci nessa caçada desenfreada por outra leitura desse autor por alguns meses. Até ir no shopping com a minha família, entrar em uma livraria e achá-lo. Li a sinopse e gostei. Implorei, muito, para que minha mãe comprasse este livro – e contando com o apoio da minha irmã, compramos. Eu estava mais feliz do que nunca, pois, finalmente, saberia como seria o estilo de escrita dele em outra história, com outro enredo e personagens diversificados. Porém, com diversos outros livros surgindo na lista do “para ler”, esse foi ficando meio de lado. Apareceram outros com histórias que me chamaram mais a atenção no momento e estava morrendo de medo de passar por outra ressaca literária.

Depois de cerca de um ano, voltei a pegá-lo e comecei a ler.

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Ele conta a história do jovem Cameron Wolfe, o mais novo de quatro irmãos e o mais peculiar. Sempre quieto e fora de casa, possui uma relação amigável com toda a família e sonha em, um dia, acabar com sua agonia e ter uma garota para que possa cuidar e amar. Coisa que seu irmão mais velho, Rube, não o faz. Principalmente, com Octavia. Por quem, Cameron – ou Cam – começa a desenvolver um sentimento após o término dela com seu irmão.
Por mais que seja totalmente contra isso – ficar com alguém que já ficou com algum parente/amigo seu -, o amor que Cameron desenvolve por Octavia é retratado de uma forma tão natural que não me incomodou nem um pouco. Muito pelo contrário, fiquei muito feliz por ele. Como o livro é narrado em primeira pessoa, dá para notar que o sentimento do Cam é verdadeiro e você passa a se simpatizar com ele – e a sofrer quando algumas reviravoltas acontecem no decorrer do livro.
Cameron também passa a escrever alguns textos durante o decorrer da história – os quais ele chama de “As Palavras” e a partir daí, o livro passa a se dividir entre a narração dos fatos e as palavras escritas pelo jovem conforme vão acontecendo as coisas em sua vida. Quando ele escreve pela primeira vez, ele diz algo sobre “não precisar de mais nada, pois ele tinha as palavras”, e por amar escrever – e amar as palavras – me identifiquei tanto com isso que era impossível não sentir a emoção em seus textos.

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O livro é curto e conta com apenas 176 páginas. E a leitura é tão leve e envolvente, que quando percebe, já o terminou há algum tempo e está absorvendo as últimas palavras do Cameron.
Não é nada comparado à Menina Que Roubava Livros, que destrói com seu psicológico, porém, marca muito a sua vida, de uma maneira ou de outra. A leveza e o jeito que ele prova para todos que ele não é o que pensam é maravilhoso e super inspirador – pois, ele samba (basicamente).
(Espero, novamente, que essa tenha sido uma boa pseudo resenha).
Até a próxima!
Giulia